Buda é preso por usar suástica

Posted on Mar. 05, 2010 at 07:46 AM

Defendido por Maytreia, Siddartha Gautama deixou ontem a carceragem da Polícia depois de dormir uma noite no xadrez por supostamente ser nazista. Um juiz federal aceitou a alegação de seu advogado de defesa, segundo a qual o Sr. Gautama já usava a suástica milênios antes de ela ser usada pelo Sr. Hitler, e concedeu-lhe habeas spiritus.

Em declaração à imprensa metafísica, o elemento deixou escapar vários comentários que, na opinião do delegado, poderão incriminá-lo ainda mais:

— Não acredite em algo simplesmente porque ouviu — declarou o revisionista — só depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.

Indagado sobre o impacto que a chocante imagem do símbolo geométrico maldito poderia causar sobre as mentes sensíveis dos judeus, ele preferiu ironizar:

— Tudo é dor, e toda dor vem do desejo de não sentir dor.

Sobre as acusações de ser neonazista, que ele nega, ou de ser um sionista infiltrado querendo chamar a atenção, ele foi taxativo:

— A verdade está no meio.

O Sr. Gautama foi levado para o Sítio Nirvana, onde vinha inexistindo pelos últimos séculos. Uma inconsolável multidão de boddhisattvas reuniu-se no local em uma manifestação para que a justiça não proíba o uso do referido símbolo geométrico.

— A verdadeira conquista é pelo dharma! — Bradava o Sr. Asoka, responsável espiritual pelo lugar — enquanto um vietnamita incendiava o ambiente com sua pregação.

O caso segue em segredo de justiça, mas os advogados de Gautama estão otimistas, pois seu tio Krishna e seu pai Vishnu prometeram aparecer com indubitáveis provas de que a suástica seria ainda mais antiga na família.

Apesar de tudo, o acusado, em nota à imprensa, afirmou não guardar mágoas: “Seja como o sândalo, que perfuma o machado que o fere.”

“Dorgas, Mano”

Posted on Mar. 02, 2010 at 10:45 PM

Todo mundo deve ter o direito de viver anestesiado da dor de viver, se quiser. Talvez o que falte é mostrar para essa gente que anestesia não cura e que expansão de uma mente vazia apenas aumenta o vácuo que deveria ter sido preenchido com… uma vida.

É um tremendo desperdício ocupar com drogas (lícitas ou ilícitas) espaços produtivos, vidas produtivas. Mas também é um tremendo desperdício ocupar com sexo, com amor, com passeios no parque levando o filho pela mão. Muitas são as coisas inúteis que são absolutamente necessárias, mas todos concordamos que elas precisam ser controladas. Não sei de ninguém que teve câncer por causa de poesia, de nenhuma carreira arruinada por amor paterno. Mas sei de vidas destruídas por apenas terem sido amortecidas por diversos tipos de “atenuantes”: álcool, LSD, maconha, chocolate, ambição.

Há inúmeras formas de se destruir uma vida, e para muitos a destruição está lá, mesmo que estejam produzindo peças e batendo seus cartões de ponto. Tem muito cadáver produtivo nessa sociedade mecânica.

Por isso eu simplesmente não sei o que dizer. Há momentos em que é necessário destruir a aldeia para salvá-la. Louco esse Vietnã da vida que vivemos.

Na Descida da Serra da Vileta

Posted on Feb. 23, 2010 at 07:18 PM

Tudo bem, detesto microcontos. Mas escrevi outro, de ficção científica…


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Página criada em 31/12/1969 e atualizada em 02/01/2010

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